4e25 (Preto Matheus) – entrevista #1

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O que é uma edição de resistência? • O autor é um romântico e paga por ela. • O editor é um romântico e não cobra por ela. • O autor é o editor. • O autor é o editor e o livreiro. • O livreiro é um romântico que paga e não cobra por ela. Uma edição de resistência é uma edição romântica? A resistência é romântica. Por mais que o autor se proponha a pagar por um serviço editorial, não cobramos o que seria justo, ou inviabilizaria o projeto. Enquanto autor e editor dos nossos livros, pagamos para escrever e não cobramos para editar. Enquanto autor e livreiro, queremos ser lidos, e muitas das vezes que alguém curte um livro, mas não tem dinheiro pra levá-lo, acabamos doando. E como as “novas” tecnologias, ou técnicas experimentais contribuem pra viabilizar? Ou, você acha que o lugar de uma edição de resistência vai ser sempre fora do comercial? Durante o processo de projeto e produção gráfica, sendo escasso o recurso financeiro do autor, nos propomos a criar as ferramentas necessárias. Fazemos carimbos, mudamos o funcionamento da impressora, mas isso tudo demanda tempo, e por ele, caso nos propuséssemos a cobrar, o projeto se tornaria inviável. Comercial enquanto um lugar em uma livraria, sim. O livro sumiria em meio a tantos, sendo o autor desconhecido do público e do livreiro. Então o trabalho com livros se dá em outra esfera que não a econômica? Qual seria essa outra esfera? Trabalho com livros de resistência se dá na esfera do simbólico, ainda mais quando se edita livros de poesia, o gênero literário menos vendido no país. Existe sim um viés econômico proposto por quem mangueia dia e noite seus livros em praças, bares, ambientes onde se aglomeram pessoas, mas esse viés econômico é o da sub existência, ou existência no dia a dia. Qual é a sua expectativa em relação aos livros que edita/publica? Que os livros sejam lidos, que sejam lidos nos meios em que são divulgados. Quais são os meios que você transita/publica/divulga? O meio é o da escrita concisa rica em visualidade e pautada pelo ritmo e pelo corte; o da poesia visual, das metáforas visuais possíveis a partir de uma dada tipografia.A publicação se dá no papel, no muro enquanto escrita de rua, na pele enquanto tatuagem, em camisas na forma de serigrafia. A divulgação se dá por meio de mídias digitais e essencialmente na rua, onde coexistimos com os transeuntes. O que você entende por ‘livro’ e ‘publicação’, uma vez que também considera a pele e o muro como suportes? Não vejo diferença, uma vez que a estética visual é aplicável, em todas essas segmentações, como também o é a concisão dos escritos, tanto cabendo em livros de formato de bolso como na pele, e no caso do muro a rapidez com que possa vir a ser inserido faz jus ao bordão do pixo “Ataque e Fuga”. Livro então seria um sinônimo de suporte? Assim como fujo do rótulo de poesia para a nossa literatura, que o nossos livros possam também ser a pele e os muros.

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http://4e25.org/


cortiço
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